1 manto vermelho

 

 

 

 

No coração do mar.

Um barco pirata.

Navegavam e ali moravam

num grande grupo, só mulheres.

Ali nasceu um menino.

Filho da virgem que a todas guiava. Eu guiava todas.

Era a virgem escolhida, a capitã. Era jovem ainda,

responsabilidades já tinha em minha mãos.

Vivia bem, no mar com alegria.

Até para mudar o mundo, ele aparecer um dia.


Em meio a névoa no meio da noite.

Barco simples, mas forte, pouca tripulação. Se aproximou.

Dei ordem que parasse. No silêncio, uma de nós bradou:

“Quem vem lá?”

Um bêbado apareceu. Se apresentou, como Gabreiel.

Me apresentei. “Perdido no mar,

carregando em seu banco uma criança.”

Era como começou a história, que o bêbado proferia.

Virá e será um rei. Você a escolhida, eu outra preferia,

para receber a bordo, mas o destino é lei.

Como ele veio, foi embora. Seu barco sumiu na hora.


Luas depois, outro barco no horizonte,

vulnerável estava vindo.

O barco com inscrição, bandeira e tudo,

seu nome, CORALINE.

Foi avistado e logo parado. No silêncio,

um assustado homem se mostrou. Ele mesmo bradou:

“Quem vem lá? Preciso de ajuda.”

Seu nome, Ros. Em seu barco foi encontrado,

com um bebê, um manto vermelho,

um cadáver, muito pranto. Uma estrela o acalmara.


Num barco pesqueiro, nascia uma vida.

Nenhum poeta assim diria,

momento inusitado, assustou o mar,

chamou atenção, poesia em tudo estará?

Nem toda poesia é bela mas nos revela.

No mar deserto, o pobrezinho passou a filho

da capitã, rainha da tripulação.

Agora filho da escolhida, filho de Ros que ali vais.

Mas acima de tudo tinha o oceano como pai.


Meu filho terá orgulho.

Eu não tive que sofrer calada.

Não fui mal falada.

Sou escolhida como guia, líder das piratas.

Mãe das Marias, não sou escrava Isaura.

Minha mãe nem tinha falha ou sotaque.

Meu filho trará honras. Merecidas.

O menino era fruto de nenhuma obrigação ou abuso.

Ele é fruto de amor, sacrifício e mar.


No coração do mar. Em meio a pirataria.

Entre ondas saques e pescas.

Não sabem no que confiar.

Se no vento, nos peixes, poesia, profecia.

O menino ia crescendo, valente para ser um rei.

Ainda nem era adulto e tempestade enfrentou.

Seus pais caídos no oceano, ele sobrevivente vira rei.

Depois de breve vitória, atacado por um raio.

A criança morre.

Lá se foi meu legado.

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