Transição

Nunca imaginei chegar a este momento e nem sequer percebi essa mudança. As coisas foram acontecendo, sabe?! Aquela coisa que chamam “vida”, mas eu nunca me dei conta. Ela carrega tudo, não de modo ruim, é natural. Como quando o vento ajuda a derrubar as folhas secas de uma árvore permitindo que novas nasçam trazendo um sentimento de renovação nas pessoas. Foi mais ou menos assim ao tentar traçar algumas palavras em um pedaço de papel, pois eu buscava e esperava ansiosamente por suas palavras, acreditando piamente que ainda faziam parte de mim. Confesso ter sido um tanto saudosa em um primeiro minuto. É um momento de consciência assustador, mas satisfatório: você faz parte de mim, mas eu sou cada vez menos você e isso é bom. Isso significa que você chegou aonde esperava e que eu estou aonde você desejou ou muito perto. Às vezes, em momentos como este, bate uma espécie de saudade, uma nostalgia e um medo insólito, assim, tudo junto. A cada passo que dou é um passo mais longe de você, daqui é quase o mesmo que admirar as estrelas no céu, porque eu sei que você é mais do que esse pequeno brilho que eu posso vislumbrar nessa noite, gostaria que pudesse ter tido a mesma compreensão.

 

Te escrevo porque quero que saiba que não sou o que esperava, mas não fique triste, eu não estou. Os seus problemas já não são mais os meus problemas, a sua melancolia já não faz mais parte dos meus dias, acho-a até fofa quando lembro ao ouvir suas músicas ou reler um texto seu. Enfim, muito mudou, estamos tão distantes, mas ainda ligadas porque os seus sonhos, bom, esses permanecem, alguns mais elaborados, outros são novos, e outros ainda já são realidade e acredito que isso me conecta a você.

 

Você sempre estará em alguma parte de mim e eu sempre serei um pouco de você.

 

Texto escrito pela convidada do Quarto Minguante:

Jéssica de Paula.

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