Desafio #006

Escrever um texto em qualquer gênero, atendendo às exigências:

1. O texto precisar ter um final trágico;
2. Deve ter no mínimo sete rimas;
3. Proibido citar a palavra medo (e semelhantes);
4. O texto deve ser baseado no texto de Adriana Brunstein abaixo:

“Sempre tive muito medo. Cresci não sei como, acho que olhando sempre para os lados, para frente e para trás sem parar, com o coração palpitando sem parar. Medo que descobrissem que eu fumava escondida, que me pegassem colando na prova, que percebessem que eu escondia nacos de bife duro embaixo do prato, que sacassem que eu havia mentido e não era uma reunião de trabalho, e sim uma festa numa danceteria, medo de assalto, de trombadinha mais alto que eu, de não entender o que o cobrador do ônibus diria em minha primeira viagem sozinha. Tinha medo de que minha menstruação nunca viesse e meus seios nunca crescessem, medo de que aquele garoto jamais olhasse na minha cara de novo mesmo tendo sido ele o escroto, medo daquelas garotas já predestinadas a algo grande e eu perdida no labirinto de vidros do Playcenter. Medo de errar a vírgula, uma grafia, a lição de casa, de nota vermelha, de ser reprimida, de não entenderem que o mundo me doía de um jeito diferente e que uma Barbie de promoção não aliviaria nada. Eu tinha medo de quem oferecia migalhas de suposta generosidade para manter o monstro escondido, medo de ter conseguido perdoar alguma vezes e ter que lidar com o perdoado depois. Medo de maçaneta forçada, do telefone cinza que podia trazer tragédias e mortes e nunca a ligação esperada. Medo de levar outros tombos em meio a outras crianças que me apontariam e ririam como hienas. Medo de não poder ter um bicho de estimação e daquele que veio no meio de muita briga e morreu sozinho. Eu tinha medo de que a garota esnobe e cheia da grana fuçasse minha mala no acampamento e achasse o sutiã que perdera. Medo de não ter um orgasmo como aqueles das mulheres gostosas e cheias de volúpia do Corujão. Alguns medos persistem até hoje. De morrer não e de nascer não me lembro.”

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