Flor(ida)

 

em poucos meses algumas coisas mudam.
nas manhãs frias a alma fica quentinha ao ler um bom dia;
a inocência começa a ver o que antes não via.
amor – de repente – se transforma em um substantivo próprio;
e a dinâmica da vida substitui todo o ócio.

os sorrisos – antes raros – tornam-se hábito diário;
cartas chegam pelo correio trazendo um coração de outro estado.
e um ser, antes perdido, encontra sentido através de um ósculo dado no final de uma estrada que não se permite à curvas de ódio.

em poucos meses muita coisa muda.
o cheiro do outro encalacra no âmago da existência,
e a batida do coração ascende onde só havia mera decadência.
uma camiseta preta se torna lembrança,
uma camisola perfumada representa toda uma esperança.
porque saudade vira expectativa de encontro,
e os medos se tornam amigos despidos da máscara de monstro.

cartas são depositadas em meio às roupas no armário
e o coração alheio vira correio de um amor que definiu um único destinatário.

em poucos meses duas pessoas mudam, duas vidas se transformam, dois mundos se fundem em um só.
e a vida toca toda uma escala que fica oscilando notas de si a dó.

o passado triste se transforma em página virada da história e só é lido para ter certeza que o presente compensa todas as frustrações.
o presente ensolarado ilumina sorrisos que emitem sons que colorem todas as estações.

em alguns meses algumas coisas mudam.
a muda cresce,
floresce
e a solidão emudece
desaparece.

em alguns meses eu, menina, viro mulher.
e desejo ser única e nunca vestir o título de uma qualquer.

em poucos meses tudo pode mudar.
eu,
tu,
nós.
mas se não lermos a poesia da vida nada muda e ficaremos
sós.

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